M&A - Compra & Venda de Locadoras

VALUATION! Você sabe quanto vale sua locadora? Parte 3

VALUATION NA PRÁTICA

Carlos Tristão*

PARTE 3

Na primeira parte vimos sobre o contexto da avaliação de empresas, explicando principalmente a diferença entre preço e valor. Se você perdeu a Parte 1, entre aqui.

Na Parte 2 entramos em aspectos técnicos das metodologias de avaliação de empresas. Para reler a Parte 2, entre aqui.

Nesta próxima parte 3, traremos a nova visão com que o mercado precifica as start-ups, importante inclusive para que empresários e empresárias de setores tradicionais possam enxergar o potencial de “criação de valor” a projetos inovadores em suas próprias empresas.

AVALIAÇÃO DE EMPRESAS EARLY STAGE (STARTUPS EM ESTÁGIOS INICIAIS)

Pela falta de histórico de resultados, e também de empresas e dados comparáveis condizentes com a proposta de atuação da startup, as metodologias tradicionais acabam não trazendo uma avaliação mais precisa do que pode representar a empresa. Neste cenário surgem outras métricas para avaliar empresas early stage, e que trazem visões interessantes, como Método Berkus, Scorecard, First Chicago, dentre outras, mais atentas à fase do negócio, time e potencial do que propriamente aos resultados. Porém, pelo alto grau de subjetividade, nós aqui na Overview costumamos utilizá-las como avaliações complementares à tese.

No caso dessas empresas, deve-se modificar totalmente a forma com que se vê o valuation, visto que ele deixa de ser uma referência de valor da empresa, mas sim o resultado de duas premissas ajustáveis a cada rodada, sendo: Valor do investimento previsto e % de equity disponibilizado em cada fase.

De uma forma prática, é mais ou menos assim:

“Olha, estou disposto a ceder x% do meu negócio para que você aporte o suficiente para eu continuar investindo por mais 1 ano. Quer subir nesse foguete?”

É essa relação que vai gerar o valuation, e não o contrário. Neste exemplo acima, se o investimento previsto é de R$ 1 milhão e o equity de 20%, o valuation post money será de R$ 5 milhões.  Difícil para um financista tradicional ver algum sentido nisso, mas é assim que vem acontecendo na prática. A cada rodada é comum a mídia divulgar o novo valuation das empresas, esse valor é uma referência projetada do valor total da empresa se todas suas ações fossem negociadas ao mesmo preço em que ações minoritárias foram negociadas nesta última rodada, o que pode se mostrar verdadeiro ou não no futuro, ou seja, se trata de uma expectativa.

Essa questão do valor de investimento necessário e o % de equity disponibilizado, normalmente pelos fundadores, são pontos importantes de serem definidos com muito critério, pois envolvem questões como diluição (e entusiasmo do time fundador), segurança e celeridade da execução do plano estratégico, e uma questão evolutiva do valuation. Em uma transação de M&A, é essencial também se atentar aos termos contratuais antes do início das rodadas, ainda na construção da tese, prevendo questões como controle, tag e drag along, direito de preferência. poder de veto, entre muitos outros.

Desta forma, o valuation representa o preço que o investidor entende ser justo pagar para embarcar neste foguete. E quais as variáveis? Muitas, mas principalmente o quão pronto esse foguete está (fase / estágio da empresa), quem são os pilotos (fundadores e time), o quão distante do objetivo (indicadores como cash burn e run away ajudam a dimensionar), e o cenário que enfrentará (mercado, concorrência, incertezas do percurso), e é neste sentido que as novas metodologias, citadas acima, trabalham.

Você reparou que citamos o termo post money acima.

Explicando: Em transações que envolvam captação de recursos (fundraising) para o caixa da empresa, ou seja, cash in, onde não será negociada a participação de algum sócio específico, mas a emissão de novas quotas / ações, é importante definir se o valor atribuído ao valuation é pre money (antes da entrada do recurso) ou post money (depois).

Aquele cenário clássico estilo Shark Tank, onde o empreendedor oferece determinada participação da empresa, exemplo, 20% por um valor de R$ 1 milhão, em tese, se trata de uma avaliação post money de R$ 5 milhões, onde o R$ 1 milhão representará 1/5 das quotas, 20%. Neste caso o valuation pre money da empresa é R$ 4 milhões. Parece uma definição simplista, e realmente é, mas é importante saber.

Enfim, para a avaliação de empresas (e projetos) em fases iniciais, há ainda muita subjetividade e avanço nos estudos das metodologias de avaliação, porém uma coisa é certa, o mercado enxerga valor em negócios disruptivos e em um time capaz de executá-lo, por isso, por mais que você tenha uma empresa de segmento tradicional, trazer a inovação, através de projetos multidisciplinares, parcerias estratégicas, entre tantas outras, pode efetivamente ajudar seu negócio a ter soluções que gerem valor aos seus clientes e consequentemente criarão valor de mercado, com a percepção de que deixa de ser um player que briga no oceano vermelho para alguém que está trilhando um novo e próspero oceano azul.

RESUMO

Como o Prof. Damodaran citou, “o mercado é o que é” e nos cabe estimar o que este mercado pagaria por determinado ativo. Não é uma tarefa fácil, dado por exemplo operações de IPO, quando companhias passam a negociar parte de suas ações em bolsa, sendo operações estruturadas, com valuation e tese consistentes, e mesmo assim há forte variação entre os preços iniciais e suas cotações após 30 ou 60 dias. isso apenas reforça de que o mercado é soberano, e, que muitos outros fatores podem alterar essa relação entre valor e preço. Entrar no detalhe desses fatores antes de um movimento societário pode ser muito saudável.

Sucesso em sua jornada!

*Carlos Tristão é economista e sócio da OVERVIEW, uma boutique de fusão e aquisição de empresas associada à AUDITBuySell, em uma aliança que tem como missão atender ao mercado das locadoras de forma especializada. Carlos também coordena a Câmara de M&A da Associação Comercial do Paraná.

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