M&A - Compra & Venda de Locadoras

VALUATION! Você sabe quanto vale sua locadora? Parte 1

VALUATION NA PRÁTICA

Carlos Tristão*

Introdução

O objetivo deste artigo é trazer insights práticos sobre avaliação de empresas, tema que faz parte do cotidiano de boutiques de M&A, investidores, fundos e bancos de investimento, e que nem sempre é pauta entre sócios de empresas de capital fechado, pelo menos até que a possibilidade de uma negociação societária aconteça.

O artigo foi dividido em três partes:

Parte 1

  • Valor é diferente de preço
  •  Ferramentas que ajudam a aproximar diferentes expectativas

Parte 2

  • Principais metodologias de avaliação

Parte 3

  • Avaliação de empresas Early Stage (Startups em estágios iniciais)
  • Resumo

Parte 1

VALOR É DIFERENTE DE PREÇO

Primeiro ponto, uma coisa é o resultado de um laudo de valuation, outra é o preço de mercado ou do valor envolvido em uma eventual transação societária.

Iniciamos com uma frase do Prof. Aswath Damodaran, um dos maiores especialistas no tema na atualidade, explicando de forma simples a diferença entre valuation e pricing.

“O número atribuído a uma casa à venda não é seu valor, mas seu preço, baseado por exemplo em casas similares que estão sendo negociadas na vizinhança. Em preço, se traz a noção intrínseca de valor, mas você essencialmente diz: O mercado é o que é, e assim tentamos estimar o quanto o mercado pagaria por este ativo”.

Ou seja, a casa pode valer mais ou menos do que seu preço ofertado, depende para quem e em que contexto se negocie. Funciona da mesma forma para uma empresa, com questões nem sempre pontuadas em um laudo de valuation, como:

i. Contexto: Estamos, por exemplo, em um momento com grande liquidez no mercado, consequência do aumento expressivo de investidores em diversos formatos e das recentes (e já encerradas) reduções nas taxas de juros, dos novos hábitos de consumo a nível mundial, entre outros, o que faz com que haja mais capital disponível para investimento na economia real (empresas e empreendimentos). Assim, mais transações estão sendo realizadas e em valuations mais expressivos. Por outro lado, temos também uma guerra em curso, e os impactos da pandemia, como inflação e a tentativa de governos em controla-la, além de uma crise na cadeia de abastecimento em nível mundial.

ii. Para quem? Assim como uma casa térrea tem maior valor a um cadeirante, uma empresa com potencial de se tornar unicórnio tem maior valor para um VC (fundo de Venture Capital) com essa tese de investimento, que pagaria um % a mais pelo risco, do que a um family office com perfil mais conservador ; assim como uma empresa do mesmo segmento (player estratégico) tende a pagar um valor adicional em uma eventual aquisição do que um player financeiro pagaria, visto que agregará sinergias aos negócios. Por isso é importante ter uma tese estruturada mais ampla, onde o valuation terá referência importante.

iii. Olhar para dentro: Assim como antes de vender um veículo, você conserta a lanterna queimada, ou faz a revisão de algo mais impactante na percepção de cuidado, como pneus e suspensão, em uma empresa algumas questões são importantes de serem trabalhadas de forma a agregar valor, como governança, contabilidade, plano estratégico, orçamento, precificação, pipeline, entre outros.

Desta forma, entre a expectativa de valor de um sócio (que tem laços emocionais com a empresa), e investidores (mais pragmáticos), terá um intervalo menor e mais tangível, ou, até mesmo, sendo positivo no preço em relação ao valor.

FERRAMENTAS QUE AJUDAM A APROXIMAR DIFERENTES EXPECTATIVAS

Como citamos, é possível tangibilizar boa parte desse intervalo de expectativas em uma negociação. Enxergamos basicamente dois caminhos macros:

1: Você está enxergando o mesmo futuro do que eu? A expectativa futura é o ponto chave que vai validar a oportunidade, e visitar o futuro é uma rotina feita várias vezes, inconscientemente, durante uma negociação. Com uma maior consistência nas informações e projeções, através de estudos de mercado alinhados a um plano estratégico com metas desdobradas e orçamento, é possível fazer esse futuro ser mais previsível no presente. E isso só terá força através da segurança atribuída aos fundadores e seus times de que tais resultados serão alcançáveis.

2: Vamos compartilhar o risco? Há ferramentas que podem contribuir para que riscos sejam minimizados para ambos os lados, como cláusulas de earn-out, onde se bonificam vendedores (em capital ou equity) em caso de resultados serem atingidos ; escrow account, ou seja, contas vinculantes para a garantia de ressarcimento a eventuais contingências, por exemplo ; contrato de mútuo conversível, onde se deixa para frente uma discussão mais efetiva em relação ao valuation (cuidado!), entre tantas outras.

Assim, faz-se com que diferentes expectativas possam ser negociadas através da criação de um campo entre as partes de intervalo de valor e de condições possíveis de serem maximizadas e compartilhadas.

Na próxima parte entraremos em aspectos mais técnicos sobre as metodologias de avaliação de empresas. Espero que tenha gostado até aqui. Até a próxima!

*Carlos Tristão é economista e sócio da OVERVIEW, uma boutique de fusão e aquisição de empresas associada à AUDITBuySell, em uma aliança que tem como missão atender ao mercado das locadoras de forma especializada. Carlos também coordena a Câmara de M&A da Associação Comercial do Paraná.

VALUATION NA PRÁTICA

Continua…

Parte 2: VALUATION! Você sabe quanto vale sua locadora?

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