Mercado de Locação

Alugar roupas é realmente mais sustentável?

O mercado de aluguel de roupas e acessórios tem crescido nos últimos anos por uma série de fatores que incluem o consumo consciente. Mas uma pesquisa publicada na Finlândia (leia aqui em inglês) em junho lançou dúvidas sobre o aluguel ser realmente uma opção mais sustentável e sugeriu que comprar e jogar fora um par de jeans pode ser melhor para o planeta do que o aluguel.

Porque? O transporte envolvido. Embora o estudo presuma que um locatário dirigiria 2km para coletar o jeans, um modelo não utilizado atualmente pela maioria das empresas de aluguéis, ele levantou questões sobre as emissões de CO2 criadas ao enviar e receber roupas, bem como de toda a limpeza a seco envolvida (fator não levado em consideração pela pesquisa).

Agora, porém, o Rent the Runway lançou novos dados que sugerem que há economias ambientais significativas quando as pessoas alugam, em vez de comprar um novo. A empresa norte-americana, que trabalhou com os consultores terceirizados Green Story e SgT para conduzir a pesquisa, estima que seu modelo de aluguel substituiu a produção de 1,3 milhão de novas roupas desde 2010 – levando a uma economia de 67 milhões de galões de água, 98,6 milhões de kWh de energia e 44.2 milhões de libras de emissões de CO2 na última década.

“O que descobrimos por meio deste estudo foi realmente encorajador e alinhado com o que sempre acreditamos ser verdade”, Anushka Salinas, presidente e COO da Rent the Runway, à Vogue. “Este estudo realmente provou que o aluguel tem uma pegada ambiental menor em comparação com a compra; é uma escolha mais inteligente e uma maneira mais consciente de se vestir.”

A empresa comparou também o impacto ambiental de comprar uma peça de roupa nova com o de alugar uma. Em média, por roupa alugada, a Rent the Runway estima uma redução de 24% no uso de água, uma redução de 6% no uso de energia e uma redução de 3% nas emissões de CO2, em comparação com a compra de um novo.

Embora alguns desses números possam parecer relativamente modestos, é importante notar que eles não levam em consideração a economia ambiental em torno das roupas que não serão produzidas como resultado do aluguel — por exemplo, se o mesmo vestido for alugado 50 vezes, em vez de 50 pessoas comprarem o mesmo vestido novo. “Temos sido muito conservadores em nossa estimativa; esta é a linha de base a partir da qual continuaremos a construir e melhorar nossas operações”, explica Salinas.

Vale lembrar que algumas categorias de aluguel se saem melhor do ponto de vista ambiental: faz mais sentido alugar um vestido para uma ocasião especial, em vez de um par de jeans (o tema principal do estudo finlandês) ou um casaco que você compre uma vez e use-o repetidamente nos próximos anos.

No geral, a pesquisa é promissora, mas continua a destacar a abordagem cuidadosa que ainda é necessária quando se trata de aluguel. Claro, vestir o que já existe em seu armário é, em última análise, a escolha mais sustentável. “Locação não é sinônimo de sustentabilidade”, comenta Maxine Bédat, diretora do New Standard Institute. “Se a indústria da moda não abordar a necessidade de não se descarter as tendências e de não haver uma relação descartável com as roupas, continuaremos neste caminho desastroso.”

A Rent the Runway argumenta que é parte da solução, mas reconhece que ainda há trabalho a ser feito – é por isso que continua a desenvolver seu modelo, recentemente integrando a revenda em seu site também. “Nossos assinantes nos dizem [que] 89% deles compram menos roupas do que antes de se juntar a nós no Rent the Runway; esse comportamento está gerando menor consumo”, conclui Salinas. “O mais importante que podemos fazer como empresa é continuar a incentivar as mulheres a usarem mais vezes a mesma roupa, o que facilitamos com o nosso modelo, e aumentamos a longevidade das peças.”

Fonte: Vogue

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