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Uma locadora 100% digital

A Turbi é uma locadora de veículos 100% digital. Essa questão não passa apenas pela utilização de um aplicativo, que todas as locadoras já possuem, inclusive as tradicionais, mas pela reorganização de todo o modelo de negócio de forma digital. Por exemplo, a Turbi não possui bases com dezenas de veículos e colaboradores para cuidar de atividades comerciais e administrativas, ou relacionadas à entrega, recepção e manutenção dos carros. Os veículos da startup são distribuídos por estacionamentos, geralmente em pequenas quantidades, onde a pessoa que fez a locação pelo aplicativo pode retirá-los e devolvê-los sem encontrar um único colaborador da startup.

Conversamos com Luiz Bonini, chief growth officer e sócio da empresa, sobre a forma como a Turbi opera, seus planos de expansão e sobre como está o modelo de locação digital no mundo.

Como funciona uma locação de veículo na Turbi?

Para fazer a locação do carro, o interessado deve apenas baixar o aplicativo, se cadastrar e passar por um processo de aprovação. Depois de aprovado, o usuário escolhe o ponto de retirada, o modelo do veículo e opta entre horas livres ou pacote de horas. Tudo muito prático, rápido e sem burocracia, com o processo de abertura do carro sendo feito de forma automática através de reconhecimento facial pelo app.

Além dessas vantagens e dos valores competitivos de aluguéis, o usuário não precisa correr para devolver o carro em uma hora pré-determinada, como acontece em locadoras tradicionais, visto que a Turbi não cobra multas ou diárias extras dos contratantes. Apenas é cobrado o uso referente às horas adicionais.

O usuário ainda pode optar por pegar o veículo naquele momento ou escolher agendar para uma data futura. Na modalidade “pegar agora”, após a confirmação do aluguel, o usuário tem 30 minutos para chegar até o ponto de retirada e abrir o carro. Já no agendamento, o usuário vai escolher a data do aluguel, um raio de distância e uma categoria de veículo (hatch, sedan, SUV ou esportivo). Algumas horas antes da viagem, ele receberá um e-mail informando o ponto de retirada e o veículo reservado.

No caso da entrega e devolução, nosso modelo de atuação faz com que as vagas dos nossos carros sejam suas moradas. Para isso, precisamos que eles sejam devolvidos no mesmo lugar onde o motorista fez a retirada. Os veículos ficam distribuídos pela cidade em pontos como prédios comerciais, residenciais, hotéis, estacionamentos, padarias e pet shops. Qualquer ponto que tenha acesso público e acesso 24×7 pode ser um ponto Turbi.

Com relação às avarias, nossos clientes, no momento da locação, verificam se o carro possui danos. Caso existam, eles fazem o seu registro por meio de fotografias tiradas no próprio celular. Com isso, recebemos mais de 20 mil fotos por semana que são analisadas pela Tia Dam (a inteligência artificial proprietária da Turbi para análise de danos). Em caso de sinistros, o carro é automaticamente retirado da operação. A partir dessas fotos, também conseguimos realizar a identificação do responsável pelo dano.

Como estão os planos de expansão da Turbi?

Para este ano, planejamos expandir nossa atuação tendo como foco grandes cidades e metrópoles. Atualmente, operamos em São Paulo, Guarulhos, Santo André, São Caetano, São Bernardo, Osasco, Barueri e Taboão da Serra.

Nosso modelo de negócio permite expandir nossa atuação para uma nova cidade em duas semanas, por exemplo. Para isso, é fundamental que consigamos ter os veículos para este local, mobilizar a rede de parceiros de estacionamento, manutenção e lavagem, além de contratar os profissionais que trabalharão na operação local.

Existem operações similares à Turbi pelo mundo? Como vocês estão vendo as perspectivas desse modelo de negócio no Brasil?

Existem alguns modelos similares. O modelo da americana Zipcar é o que mais nos inspirou e que mais possui similaridades com a Turbi. Hoje em dia, eles estão muito bem consolidados nos Estados Unidos, atendendo nas principais cidades, expandindo sua atuação e ampliando sua frota constantemente.

Em países em processo de desenvolvimento como Rússia, China e Índia, o crescimento tem sido bastante rápido nos últimos anos. O principal player chinês, EvCard, caminha para uma frota de 300 mil carros. Somente em Moscou, já circulam mais de 25 mil carros da Yandex.drive.

Com relação às perspectivas desse modelo de negócio no Brasil, encontramos diversas dificuldades de mobilidade urbana, intermunicipal ou interestadual. Nosso modelo vem ao encontro da procura do brasileiro pelo uso de um carro sem a necessidade de ter os altos custos e contratempos da posse de um.

Recentemente, ultrapassamos a marca das 500 mil viagens realizadas, um marco muito importante para nossa operação. O brasileiro tem entendido cada vez mais sua relação com o carro e sua necessidade em ter ou não ter um. A Turbi trabalha para mostrar que existe uma solução diferente do modelo tradicional de aluguel de carros com o qual as pessoas estão acostumadas no Brasil.

Fonte: Monitor Mercantil

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