Depois de meses em banho-maria, a reforma tributária entra em uma fase decisiva para o mercado de locação. A partir de setembro, as locadoras enquadradas no Simples Nacional terão que definir qual regime tributário irão adotar a partir de janeiro de 2027.
Paulo Henrique Souza, CEO da Audit Consult, avalia que uma parcela significativa do mercado ainda trata o novo cenário tributário como uma preocupação futura. “O principal equívoco é imaginar que a reforma se resume a uma mudança de alíquotas. Na realidade, o novo modelo altera a própria forma de apuração dos tributos, o aproveitamento de créditos, a estrutura de preços e o controle da operação como um todo”, explica.
Um dos avanços mais relevantes está na consolidação da lógica de não cumulatividade, que permitirá às locadoras ampliar o aproveitamento de créditos tributários vinculados à operação. No longo prazo, a simplificação prometida pela substituição de tributos tende a melhorar o ambiente de negócios. No curto prazo, porém, as empresas precisarão conviver simultaneamente com o sistema antigo e o novo.
Isso exigirá revisão de contratos, adequação de sistemas internos e apuração paralela de tributos, ampliando a demanda por controles internos mais sofisticados.
Outra alteração sensível envolve a gestão financeira. Hoje, o aproveitamento de créditos tributários acontece de forma mais lenta, muitas vezes diluído ao longo de meses por meio de mecanismos de depreciação. A partir do novo sistema, a compra de veículos passará a gerar créditos imediatos, alterando diretamente a formação de preços e a rentabilidade dos contratos.
Mudanças na gestão
Essa nova realidade tende a afetar decisões estratégicas que historicamente sustentam o modelo de negócios, como compra, renovação e desmobilização de frota. A avaliação sobre aquisição de ativos começa a incorporar variáveis ligadas à tributação futura, geração de crédito e impacto no fluxo de caixa.
Empresas que não conseguirem ajustar essa engenharia podem enfrentar pressão sobre rentabilidade durante o período de transição. Ao mesmo tempo, a nova lógica abre espaço para ganhos de eficiência.
Além dos impactos internos, a reforma pode alterar a própria lógica de expansão do setor nos próximos anos. A tributação no destino e a mudança na dinâmica de créditos devem influenciar decisões sobre abertura de filiais, expansão regional e velocidade de crescimento das operações.


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