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Reserva de ações da Armac acaba amanhã. Vale a pena comprar na oferta?

Acaba amanhã, sexta-feira (23), o período de reserva para pequenos investidores comprarem ações da Armac antes da estreia na bolsa, prevista para a próxima quarta-feira (28), com o código ARML3. A companhia de São Paulo aluga equipamentos pesados como escavadeiras e tratores e afirma que é líder nacional no segmento.

A empresa possui frota própria de 1,4 mil equipamentos e serve clientes em 17 estadosdos setores agrícola e de mineração, papel e celulose, transportes e infraestrutura. A Armac acabou antecipando o plano de oferta pública inicial (IPO, na sigla em inglês), que era lá para 2024, segundo o Pipeline, site de negócios do Valor.

A companhia quase dobra seu lucro anualmente desde 2014. A receita bruta era de R$ 4 milhões em 2014 e fechou 2020 em R$ 123 milhões. O lucro antes de juros, impostos, amortização e depreciação (Ebitda, na sigla em inglês) passou de R$ 2 milhões em 2014 para R$ 57 milhões no ano passado.

A casa de análises independente Eleven Financial aconselha comprar ações na oferta pública inicial (IPO, na sigla em inglês), por achar que a empresa possui diferenciais competitivos importantes, em um segmento altamente pulverizado e com baixa penetração.

Os analistas Alexandre Kogake e Flavia Ozawa afirmam que os diferenciais competitivos são baseados principalmente na sua equipe de mecânicos inserida em uma cultura de prestação de serviço ao cliente, chamada de “graxa na caveira”.

A Armac está bem posicionada para ganhar participação de mercado dos competidores menores, conforme eles. “Adicionalmente, com um produto competitivo acreditamos que ela possa ajudar a expandir a própria penetração do serviço de locação”, dizem, em relatório.

Os analistas ainda consideram que todo o conhecimento acumulado com a verticalização do processo demoraria para ser replicado e é uma barreira adicional à entrada de novos competidores.

Contudo, entre os principais riscos de entrar na oferta, eles destacam o gargalo que a formação de pessoal especializado pode gerar para o crescimento acelerado, a devolução de equipamentos durante uma recessão econômica pelo modelo flexível de contratos e o risco da frota proveniente de acidentes, roubos e outros eventos.

Detalhes da oferta

 

O IPO é primário, quando são emitidas ações novas e o dinheiro vai para a companhia, e secundário, quando são oferecidos papéis já existentes e os recursos vão para os acionistas. Com o dinheiro captado na oferta primária, a empresa planeja adquirir equipamentos para aluguel. Na oferta secundária, o acionista vendedor é o fundo de investimento Speed.

Para fazer a reserva de ações da Armac, basta o investidor avisar a corretora quantos papéis gostaria de comprar na oferta e por qual preço. O valor mínimo para participar da oferta é de R$ 3 mil, e o máximo, de R$ 1 milhão.

A companhia definiu o intervalo indicativo de preço por ação entre R$ 13,30 e R$ 16,63. Nos IPOs, as empresas e os bancos coordenadores testam uma faixa de valor. Se a venda acontecer no preço mais alto, significa que a demanda pelas ações foi grande. Já se for no valor mais baixo, houve menos interesse pelos papéis.

O preço será fixado na próxima segunda-feira (26). A oferta pode levantar R$ 1 bilhão, considerando a oferta base de 68,5 milhões de ações e o meio da faixa de preço, de R$ 14,96. Ainda podem ser comercializados um lote adicional de até 13,4 milhões de papéis e um lote suplementar de até 10,3 milhões de ações, se houver demanda. A operação é coordenada por Santander, Itaú BBA, BTG Pactual e Morgan Stanley.

Cuidados para investir

 

Investir em IPO é cilada se o investidor não entender a fundo o que está comprando, segundo analistas. Na avaliação deles, em geral, é mais seguro comprar ações de empresas já listadas, porque as companhias tendem a ter mais histórico de números e a se comunicar melhor com o mercado.

Mas há boas (só que mais raras) oportunidades nas ofertas para quem estiver disposto a estudá-las com atenção. Empresas que estreiam na bolsa são como “small caps”, termo em inglês usado para se referir a ações de empresas consideradas menores quando comparadas às gigantes da bolsa.

Por estarem ingressando no mercado, essas companhias podem ter um futuro promissor pela frente, com alto potencial de crescimento e bom retorno para os acionistas. Muitas delas são inovadoras ou atuam em setores ainda não consolidados. E a vantagem de investir no IPO é a chance de conseguir um preço ainda mais barato pela ação.

Por outro, pode ser uma aventura de dar frio na barriga. Isso porque são ações que apresentam maior risco e volatilidade, além de terem menor volume de negociações na bolsa, ou seja, pode ser difícil vender os papéis sem ter que “dar desconto”. Isso faz com que essas ações sejam mais indicadas para quem pode deixar o dinheiro investido em longo prazo.

Da mesma forma que podem ter um ótimo crescimento, isso pode simplesmente não acontecer, e o investidor pode perder muito dinheiro. Analistas aconselham só participar de IPOs de companhias de setores totalmente novos na bolsa, ou cujas ações estão mais baratas do que as das concorrentes já listadas.

É preciso conhecer as perspectivas para o setor, como a empresa ganha dinheiro, quais são as suas vantagens competitivas e quais são os riscos para o seu negócio. Para saber se o papel está barato na oferta, é preciso analisar múltiplos como o preço sobre o lucro.

Nada disso é simples. Os analistas levam dias para avaliar se vale a pena participar do IPO de uma empresa. Casas de análises independentes produzem relatórios pagos com essas avaliações para pequenos investidores.

Fonte: Valor Investe

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