I. Depreciação afeta caixa? Uber
Após receber R$ 100 mil a título de rescisão trabalhista do seu antigo emprego, motorista de aplicativo utiliza os referidos recursos para adquirir um carro (ativo imobilizado) à vista.
Seu rendimento líquido (caixa) mensal trabalhando como motorista é de R$ 3.000 mil (receitas de R$ 5.000 e despesas de R$ 2.000). O lucro da operação é distribuído (dividendos) e utilizado para pagar suas despesas pessoais. Não há reinvestimento no negócio.
Ao final de três anos, ele decide trocar seu carro por um modelo mais novo. Para isso ele aliena seu veículo antigo por R$70 mil, recebendo tal valor a vista.
Assim:
- Custo de aquisição do veículo: R$ 100 mil
- Valor de venda do veículo: $70 mil.
- Valor da depreciação: $30 mil.
Impacto no caixa R$ 30 mil. Portanto, depreciação nada mais é que montante de caixa que eu investi na compra do carro que não foi recuperado quando da alienação.
Lucro e Rentabilidade: ao distribuir o fluxo de caixa líquido (como dividendo) sem considerar a depreciação do carro, o motorista acabou por “devolver capital”. Em outras palavras, uma parte do que ele retirava mensalmente da operação – a título de dividendos – era na verdade capital, mais precisamente uma pequena “parcela do carro” e não lucro da operação.
II. Valor residual: Quanto vale um carro elétrico ao final do período de uso?
Com a invasão dos carros elétricos de excelente qualidade e preços cada vez mais acessíveis no cenário nacional, o consumidor se depara com a seguinte cenário no momento de compra de seu novo veículo.
Dois carros – um tradicional e outro elétrico – que possuem as mesmas características qualitativas e também possuem o mesmo preço de aquisição: R$120 mil.
O potencial comprador pretende permanecer com o novo veículo durante o prazo de 5 anos.
Uma primeira avaliação – isolando-se apenas os aspectos financeiros e não incluindo aqueles relacionados a sustentabilidade – poderia indicar que o carro elétrico seria vantajoso, uma vez que que o comprador não incorreria nas despesas adicionais com combustíveis, estimadas em 500 mês (R$ 6.000 ano e R$ 30 mil para o período de 5 anos).
Contudo, há de se avaliar o valor de venda do veículo ao final do período de utilização, qual seja seu “valor residual”.
O modelo tradicional possui preços cotados na Tabela FIPECAFI para um veículo com cinco anos de uso, na faixa de 60 mil. Assim, ele o “valor depreciável” do veículo é de 60 mil – que nada mais é que a depreciação esperada para o veículo ao longo prazo de utilização pelo adquirente.
Assim, para o veículo tradicional, temos:
- Custo de aquisição do veículo: R$ 120 mil
- Valor residual (ao final de 5 anos): R$ 60 mil
- Valor depreciável (depreciação esperada): R$ 60 mil.
Já no que tange ao veículo elétrico, como não inexistem carros com 5 anos de uso, tampouco existem preços de mercado para estimação do valor residual.
Nesse sentido, caso o valor de venda seja muito baixo ao final do período de uso – por exemplo, por questões de descarte e reposição da bateria – o carro elétrico pode não ser necessariamente o melhor investimento sob a ótica econômico-financeira.
Na decisão de aquisição de um imobilizado, o preço de compra não é a única variável a ser analisada. Ela reflete o caixa inicial “empatado”. Há de se considerar o valor que será recuperado quando da alienação, o caixa final “a ser recebido”, chamado de valor residual do veículo.
Lucros das Locadoras de Veículos são afetados negativamente pelo aumento da despesa de depreciação
Durante a pandemia – em decorrência de problemas nas ofertas de chips e inflação decorrente de expansão fiscal e monetária – os preços dos carros novos aumentaram sensivelmente no cenário brasileiro.
Determinada locadora de veículos adquiriu novos veículos ao preço de 100 mil cada. A empresa geralmente estima vender os carros, após um prazo de 2 anos, pelo valor de 80 mil cada (“valor residual”).
Neste contexto, a despesa de depreciação total esperada é de 20 mil por veículo. Conforme a política contábil da locadora, tais custos são reconhecidos de forma linear ao longo dos dois anos de utilização da nova frota. Portanto, de acordo com tais estimativas, a despesa de depreciação anual deverá ser de R$ 10 mil ao ano.
Ao final do primeiro ano de utilização dos carros, com a melhora do cenário inicial da pandemia, a oferta de carros se normalizou e o preço de mercado dos carros caiu sensivelmente.


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