Pedir uma pizza, hambúrguer, comida japonesa e outras culinárias, no conforto de sua casa, tem se tornado cada vez mais comum e rotineiro. Basta pegar o celular, dar alguns cliques e, em alguns minutos, a comida chega até o cliente. O hábito tem gerado impacto na economia alimentícia e feito com que o setor de delivery fique mais aquecido no país. A efeito de comparação, em relação ao ano passado, o setor registrou um crescimento de 11%, desempenho que ajuda a balancear a queda de 5% nas operações presenciais — segundo o Instituto Foodservice Brasil (IFB). O ticket médio, no segundo trimestre deste ano, subiu 7%.
O novo padrão de consumo também está alterando a forma como os bares e restaurantes tocam seus negócios: com sete a cada dez estabelecimento oferecendo serviços de entrega. Segundo a Associação Brasileira de Bares e Restaurantes (Abrasel), dessa relação, 78% utilizam de aplicativos de delivery. O horizonte também é de bons olhos, com o fluxo podendo chegar até R$ 28 bilhões em produtos até 2029, conforme estudo da Statista.
O cenário fica ainda mais agitado com a chegada de grandes empresas. A Meituan, potência no mercado asiático, chega ao Brasil com um aporte de R$ 5,6 bilhões a serem investidos nos próximos cinco anos. Além da empresa chinesa, outras se movimentaram, como a 99Food que retomou operações em São Paulo e a Rappi, que anunciou investimento privado de US$ 100 milhões.
Outro player de destaque no segmento é a Motoca, que surgiu em meio a um cenário tenso, em 2020, com o objetivo de promover trabalho e dignidade aos entregadores. A empresa baiana — com sedes em Salvador e São Paulo — oferece motos com crédito acessível, sendo uma alternativa para aqueles trabalhadores que não conseguem financiamento com métodos tradicionais. As motos são entregues já prontas para rodar nos aplicativos de entrega, com todo suporte, manutenção e acompanhamento.
Dentro do contexto, o Anota Bahia conversou com a sócia-fundadora da Motoca, a empresária Luma Pitanga, para entender a atuação da empresa e como o mercado de delivery está se comportando no Brasil.
Como surgiu a ideia de fundar a Motoca? O a iniciativa se propõe a oferecer, em meio a outras plataformas?
Luma Pitanga – A Motoca nasceu em 2020, no auge da pandemia, quando o desemprego cresceu e o delivery explodiu no Brasil. Com o receio de contágio, o delivery se tornou uma necessidade imediata e vimos ali uma oportunidade de gerar renda para milhares de pessoas que precisavam trabalhar, mas não tinham acesso a crédito para comprar uma moto. Nosso propósito sempre foi abrir portas, oferecendo trabalho e dignidade.
Nosso diferencial é a concessão de crédito desburocratizado e acessível. Atendemos um público que os bancos tradicionais não enxergam. Além disso, entregamos motos novas, já prontas para rodar em aplicativos, com suporte, manutenção e acompanhamento. Não é apenas alugar motos: é dar condições reais para o cliente gerar renda.
Tendo em vista o alto crescimento do setor de delivery por aplicativos, qual o objetivo da Motoca?
Luma Pitanga – O mercado de delivery está bastante movimentado. Todos os dias temos notícias com os grandes players (99 Food, IFood, Meituan / Keeta e Rappi). Esse ano tivemos aportes relevantes no Brasil de aplicativos que querem dominar esse mercado. A Meituan, por exemplo, anunciou investimento de R$ 5,6 bilhões para trazer o Keeta ao país, e as projeções mostram que o delivery deve movimentar mais de US$ 10 bilhões até 2027.
Nosso objetivo é ser a principal parceira dos trabalhadores do delivery e também das empresas que precisam de frota terceirizada. Queremos simplificar o acesso à mobilidade, reduzir barreiras e consolidar a Motoca como referência no setor.
O Instituto Foodservice Brasil divulgou um dado que o setor atingiu R$ 62,4 bilhões em gastos no segundo trimestre deste ano e que o total de transações caiu um pouco. Você acha que o consumidor está cada vez mais exigente? Como o mercado pode contornar isso?
Luma Pitanga – Não encontramos ainda estudo que aponte exatamente quanto o delivery caiu por conta da alta dos juros, mas há fortes indícios desse impacto. Com Selic em ~15% ao ano, o crédito se tornou mais caro para consumidores e empresas.
Em 2020, na pandemia, o delivery teve um crescimento abrupto (180%). Nos anos seguintes permaneceu em alta, mas aos poucos foi regulando para uma taxa de crescimento mais razoável. A mudança de hábito que inclui o delivery em nossas vidas já está consolidada; o setor segue em expansão, mas com ritmo mais sustentável. O desafio agora é crescer com eficiência e consistência nesse novo cenário econômico.
Quais são as principais necessidades do mercado hoje? E quais tendências estão sendo projetadas?
Luma Pitanga – O mercado pede crédito acessível, veículos confiáveis e contratos sem burocracia. A tendência é de crescimento contínuo do delivery e da mobilidade sob demanda. O modelo de locação e de assinatura de motos vai se consolidar, assim como já aconteceu com os carros. Cada vez mais as pessoas buscam soluções rápidas, sem necessidade de possuir o veículo.
Estamos ampliando nossa frota, estruturando novas soluções tecnológicas e sempre falando de expansão, não pode parar. Nosso foco é escalar a operação para outros estados, mantendo a experiência do cliente como prioridade e reforçando nosso papel de gerar emprego e renda.



0 comentário em “Luma Pitanga – empresária fala sobre setor de delivery e atuação da Motoca”