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JBS lança empresa para locação de caminhões elétricos

A produtora de alimentos à base de proteína JBS anunciou, na quarta-feira (27/4), o lançamento da No Carbon, empresa especializada em locação de caminhões elétricos.

A companhia atuará, inicialmente, nas operações logísticas da própria JBS, atendendo o setor de distribuição de produtos das marcas Friboi, Seara e Swift, e será responsável pela gestão de uma frota de caminhões movidos à energia elétrica.

O caminhão é equipado com baús frigoríficos que possibilitam o transporte de produtos resfriados e congelados, com capacidade de até quatro toneladas de carga. Os pontos de recarga dos veículos estarão disponíveis nos centros de distribuição das marcas. A autonomia do veículo (com o baú) é de até 150 quilômetros.

Ainda de acordo com a JBS, o veículo não possui filtros de ar, óleo ou combustível, sistema de escapamento, correias, bico injetor, bomba de injeção e demais itens que constituem um veículo a combustão.

Para atender os estados de São Paulo, Paraná, Santa Catarina e Distrito Federal, serão utilizados 31 veículos urbanos de carga (VUC) elétricos. A expectativa é expandir a frota a médio prazo, com a possibilidade de abrir a locação para outros players do mercado com alta demanda por serviços logísticos, como redes varejistas e empresas de e-commerce.

A criação da empresa está ligada à estratégia da JBS para alcançar neutralidade de carbono até 2040.

Em março de 2021, a companhia comunicou que vai zerar o balanço líquido das suas emissões de gases causadores do efeito estufa, reduzindo a intensidade das emissões diretas e indiretas e compensando a produção residual.

A No Carbon irá impactar diretamente nas emissões de CO2 do chamado escopo 3 (emissões indiretas da empresa) — o mais complexo de conseguir resultados — ao substituir os modelos a diesel usados pelos prestadores de serviços logísticos do grupo.

“Com a No Carbon, a JBS cria um negócio que irá trazer escala à utilização de caminhões elétricos no transporte de cargas no Brasil. Além disso, a nova frente representa a abertura de um campo com grande potencial de crescimento e colabora com o objetivo da empresa de trabalhar de maneira cada vez mais sustentável”, afirma Susana Martins Carvalho, diretora executiva da JBS Novos Negócios.

Este não é o primeiro movimento da empresa com relação à implementação da frota com veículos elétricos. Em abril de 2021, a Seara iniciou o transporte dos produtos através do caminhão elétrico.

O modelo apresenta um custo operacional três vezes menor, em comparação aos VUCs. No primeiro momento, o veículo atuou em Santa Catarina, entre Itajaí e Balneário Camboriú, em rotas do segmento premium, responsável pela distribuição de produtos de linhas como Incrível e Seara Gourmet.

A expectativa da JBS é conseguir 40% da frota desse setor padronizada em até cinco anos, dependendo da disponibilidade de equipamentos no mercado brasileiro para a produção do veículo.

Sob pressão

Na semana passada, um estudo do Agriculture and Trade Policy, em parceria com a ONG Feedback e o site de investigação DeSmog alertou que a JBS — que processou 26,8 milhões de bovinos, 46,7 milhões de suínos e 4,9 bilhões de frangos no ano passado — aumentou suas emissões anuais de GEE em 51% em cinco anos, de 280 milhões de toneladas (mmts) em 2016 para cerca de 421,6 mmts em 2021.

Shefali Sharma, diretora europeia do Institute for Agriculture and Trade Policy, chamou a atenção para a urgência de monitoramento e regulação das emissões.

“Nossas estimativas de emissões atualizadas mostram claramente os danos que estão sendo causados por anúncios vazios, de planos net-zero. Precisamos de sistemas públicos, independentes e responsáveis para monitorar as emissões destas empresas”, diz.

Empresas se unem para impulsionar VE’s no Brasil

Um grupo de companhias do setor de mobilidade urbana, liderado pela empresa de tecnologia 99, lançou uma coalizão com o objetivo de impulsionar a infraestrutura para veículos elétricos no Brasil.

Uma das metas é criar 10 mil estações públicas de carregamento em todo o país até 2025. Atualmente, existem cerca de 1,5 mil pontos de recarga no mercado brasileiro.

Chamada de Aliança pela Mobilidade Sustentável, a iniciativa envolve a CAOA Chery, Ipiranga, Movida, Raízen, Tupinambá Energia, Unidas e Zletric.

A aliança pretende discutir formas para impulsionar toda a infraestrutura necessária à eletrificação da frota brasileira, a partir da criação de postos públicos de recarga.

O grupo também quer diminuir as barreiras para a aquisição de carros elétricos. A estratégia passa por facilitar o aluguel de veículos do tipo entre motoristas de aplicativo; fornecer apoio às montadoras e às outras empresas da cadeia, como fornecedores de peças para esses veículos; além de monitorar a recepção pelo público. A cidade de São Paulo funcionará como polo pioneiro para implementação do programa.

A parceria contará com o suporte do DriverLAB, centro de inovações da 99 que deve investir cerca de R$ 250 milhões nos próximos três anos, sendo R$ 100 milhões em 2022.

Eletrificados avançam

Executivos da indústria global de automóveis acreditam que 41% dos novos veículos vendidos no Brasil em 2030 serão elétricos, de acordo com relatório divulgado pela consultora KPMG em 6/2/22.

Na  22ª edição da Pesquisa Executiva Anual do Setor Automotivo Global 2021 (Gaes), que ouviu 1.118 executivos — incluindo 372 CEOS  — em 31 países, a consultora perguntou qual porcentagem estimada de vendas de veículos novos alimentados por bateria, excluindo híbridos, dentro de cada mercado, até 2030.

Em 2021, a venda de veículos eletrificados no país bateu recorde, superando a marca dos 30 mil, segundo a Associação Brasileira do Veículo Elétrico (ABVE). O total de automóveis e comerciais leves eletrificados já em circulação no Brasil chega a quase 73 mil.

Apesar do crescimento acelerado na venda de veículos elétricos na América Latina, levantamento da S&P Global Platts mostra que essas vendas ainda representam 7% do mercado de carros novos no mundo.

Na AL, a expectativa é que os elétricos cresçam exponencialmente, para uma participação de 10% nas vendas até 2040.

Tempo de recarga e minerais críticos são desafios

Executivos ouvidos pela KPMG apontam que a redução no tempo de recarga das baterias é um dos principais desafios para a adoção de veículos elétricos pelos consumidores.

Para 77% dos entrevistados, os consumidores deverão exigir tempos de recarga inferiores a 30 minutos em suas viagens. Atualmente, a maior parte das estações de carregamento demora mais de três horas.

O suprimento de minerais é outro ponto. Estima-se que um carro elétrico demande seis vezes mais recursos minerais que um automóvel convencional.

No ano passado, a Agência Internacional de Energia (IEA, sigla em inglês) alertou que somente a demanda por lítio, por exemplo, deve crescer 40 vezes nas próximas duas décadas.

Grafite, cobalto e níquel terão uma demanda entre 20 e 25 vezes maior, na comparação com o mercado atual.

Fonte: epbr

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