Veículos & Mobilidade

Chegada do inverno pode ‘roubar’ metade da autonomia do seu carro elétrico

Mesmo sem frio extremo, Brasil já tem inverno suficiente para trazer dor de cabeça aos donos de carros elétricos

O inverno está chegando e, junto dele, donos de carros elétricos podem esperar uma queda significativa no alcance dos seus veículos. O frio é um dos principais vilões das baterias veiculares e, com a popularização dos EVs no Brasil, seus efeitos tendem a ficar mais evidentes daqui em diante.

A boa notícia, entretanto, é que novas fórmulas químicas das células de energia prometem resolver essa questão e já estão perto de chegarem às concessionárias.

Por que isso acontece?

As baterias de íons de lítio — de longe as mais usadas em carros elétricos — dependem de reações eletroquímicas para funcionarem. Como o calor de um objeto está diretamente ligado ao grau de agitação de suas moléculas, isso significa que, em baixa temperatura, a movimentação dos íons fica mais lenta.

Consequentemente, a resistência interna da bateria aumenta, a tensão cai e o sistema passa a “enxergar” menos energia utilizável, explica o Departamento de Energia dos EUA. Dessa forma, o alcance efetivo do carro cai drasticamente.

Piorando a situação, o frio excessivo pode danificar a estrutura química dos componentes da bateria, de forma que o veículo precisa destinar parte da sua energia para aquecer as células. Além disso, também gasta-se mais com o aquecimento da cabine.

Por fim, o sistema de gerenciamento da bateria adota um esquema mais conservador de gestão térmica e elétrica, limitando mecanismos como a recuperação de energia nas frenagens a fim de não sobrecarregar os componentes.

O tamanho do problema

Para demonstrar o efeito do frio em casos extremos, o Automóvel Clube da Noruega decidiu, no mês passado, levar mais de 10 carros elétricos para um passeio no Círculo Polar Ártico. A rota partiu dos -7º C da capital Oslo e chegou aos -32º C da região de Folldal, no extremo norte da Terra.

A ideia foi seguir velocidades e rotas constantes para comparar, com o máximo de rigor científico, quanto cada veículo rodaria frente ao que era previsto pelo ciclo WLTP, usado na Europa.

Curiosamente, a experiência também serviu para mostrar vantagem dos modelos asiáticos no gerenciamento térmico. Isso porque o chinês MG 6S liderou o ranking e teve perda de ‘apenas’ 29% na autonomia devido às condições geladas. O Hyundai Inster foi o segundo melhor nesse aspecto, com 30% de diminuição.

Modelos europeus e norte-americanos, por outro lado, perderam praticamente metade do alcance devido ao inverno: caso do Lucid Air e Opel Grandland — 46% de perda cada — e do Volvo EX90, que perdeu 45% e, de 484 km previstos, conseguiu rodar apenas 262 km.

E no Brasil?

Ainda que muito raramente o Brasil meça temperaturas dignas da Noruega, o inverno nacional já é capaz de inspirar cuidado aos motoristas, que precisam de mais prudência na hora de pegar estrada no frio.

Segundo o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), o inverno do ano passado marcou temperaturas mínimas de -7,8°C em General Carneiro (PR), além de -5,0°C em Bagé (RS).

São condições que, segundo outro teste, da consultoria Recorrente, já são capazes de eliminar 30% da autonomia do veículo elétrico. Nesse caso, um BYD Dolphin, por exemplo, rodaria apenas 203 km, frente aos 291 km previstos pelo Inmetro.
Temperaturas próximas de 0º C também foram registradas em diversos lugares do país, em diversas datas. Nesse caso, segundo a Recurrent, as perdas ficam na casa de 22%: ou seja, o Dolphin do exemplo perderia cerca de 64 km de alcance por conta do frio.

Solução a caminho

A boa notícia, principalmente para países de inverno rigoroso, é que a ciência vem contornando o problema — principalmente com as baterias de estado sódio e de estado sólido.
No primeiro caso, tem-se o fato de o sódio oferecer melhor comportamento em algumas formulações de baixa temperatura. O primeiro carro de série com essa tecnologia foi anunciado em fevereiro, pela Changan, e promete reter 90% da autonomia mesmo a -40º C.

O ponto fraco é que, por enquanto, as baterias de sódio oferecem alcance máximo inferior às equivalentes de íons de lítio.

Quem oferece alcance maior do que há hoje e, ao mesmo, ampla tolerância a calor e frio extremos é a bateria de estado sólido, cuja corrida pela produção em larga escala segue acirrada, com primeiros carros esperados para 2027 ou 2028.

 

Fonte: https://www.uol.com.br/carros/noticias/redacao/2026/05/13/chegada-do-inverno-pode-roubar-metade-da-autonomia-do-seu-carro-eletrico.ghtm

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