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Silvio Meira: “atender o cliente via WhatsApp não tem nada a ver com transformação digital”

SÃO PAULO – No início desta pandemia, as empresas brasileiras passaram por uma transformação que o empreendedor e pesquisador Silvio Meira define como “ABC”: aprendizado baseado no caos. “Não é o caos como método, é o caos como oportunidade. No caos, vale fazer qualquer coisa e dar um jeito para atender o consumidor”, disse em entrevista ao podcast Do Zero ao Topo.

O problema, segundo o fundador do Porto Digital — um dos maiores parques tecnológicos do Brasil —, é que, passado um ano de pandemia, em algumas empresas as estratégias utilizadas no estágio inicial da crise viraram o modus operandi, mascarando a necessidade de uma mudança mais profunda nos negócios.

Muitas empresas adotaram tecnologias simples para a comunicação interna — como Zoom e Teams — e para o atendimento ao cliente — como WhatsApp e Instagram — e, com isso, acreditam que já fizeram a tão falada transformação digital. “Transformação digital é um processo cultural e não atender via WhatsApp”, explicou Silvio Meira durante o podcast. .

A história completa de Meira — e suas visões sobre o impacto da pandemia na digitalização e gestão das empresas — é tema do episódio 84 do podcast Do Zero ao Topo. Meira é um dos fundadores e o idealizador do Porto Digital, que transformou o centro histórico do Recife em um parque tecnológico. Hoje, o local emprega 13 mil pessoas em quase 350 empresas instaladas e que faturam mais de R$ 2,5 bilhões por ano. É possível seguir o programa e escutar a entrevista em SpotifyApplePodcastsDeezerSpreakerGoogle PodcastCastbox, Amazon Music e outros agregadores de áudio do país.

Para Meira, a transformação digital de empresas é uma combinação de dois conceitos: a inovação digital e a transformação estratégica. A inovação digital refere-se ao passo já dado por muitas empresas: o desenvolvimento de novas e mais eficientes maneira de operar por meio de plataformas digitais.

Já a transformação estratégica, segundo Meira, é uma mudança radical na tomada de decisões do negócio. Nela, a empresa define suas metas e valores e dá liberdade para que os funcionários na ponta da cadeia — que atuam diretamente com o cliente — tomem decisões.

Do PhD ao Porto Digital

Hoje conhecido como um grande empreendedor e respeitado pesquisador sobre inovação, a trajetória de Meira começou com uma ambição mais modesta: a de não ter um chefe.

Após uma rápida experiência no banco Itaú, enquanto cursava engenharia no Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA), o paraibano logo decidiu que seguiria a vida acadêmica. Após concluir seu mestrado e seu doutorado — esse último na Universidade de Kent, na Inglaterra —, o pesquisador se uniu com outros dois professores em um plano para desenvolver o departamento de informática da Universidade Federal de Pernambuco de acordo com o que viam em renomadas instituições do exterior.

O rápido sucesso do projeto deu origem ao Cesar (Centro de Estudos e Sistemas Avançados do Recife), em 1996, um centro de pesquisa e inovação para aproximar a academia do mercado que se mantém como referência até hoje tanto em Pernambuco quanto no Paraná e no Amazonas.

Da evolução do Cesar nasceu o Porto Digital, em 2000. “Nós percebemos que não conseguiríamos atingir tudo o que gostaríamos apenas com a universidade”, contou Silvio. Confira os detalhes dessa construção no podcast.

Sobre o Do Zero ao Topo

O podcast Do Zero ao Topo traz, a cada semana, um empresário de destaque no mercado brasileiro para contar a sua história, compartilhando os maiores desafios enfrentados ao longo do caminho e as principais estratégias utilizadas na construção do negócio.

O programa já recebeu nomes como André Penha, cofundador do QuintoAndar, David Neeleman, fundador da Azul, José Galló, executivo responsável pela ascensão da Renner, Guilherme Benchimol, fundador da XP Investimentos, Artur Grynbaum, CEO do Grupo Boticário, Sebastião Bonfim, criador da Centauro e Edgard Corona, da rede Smart Fit.

Fonte: https://www.infomoney.com.br/do-zero-ao-topo/silvio-meira-atender-o-cliente-via-whatsapp-nao-tem-nada-a-ver-com-transformacao-digital/

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