Por Guilherme Rajzman, fundador e CEO da Wali
O setor de aluguel de veículos vive um momento histórico de transformação. Depois de décadas pautado por balcões físicos, contratos impressos e longas etapas presenciais, o comportamento do consumidor mudou — e rápido. A digitalização, antes vista como alternativa, agora se consolida como preferência.
A Wali observou isso diretamente em sua base. Em uma pesquisa recente realizada com usuários do aplicativo no Rio de Janeiro, dois dados mostram a intensidade dessa virada:
- 85% preferem aluguel digital sem balcão em vez do modelo tradicional.
- 62% afirmaram não ter voltado a alugar em locadoras convencionais após conhecerem o app.
Esses números refletem algo maior do que uma tendência tecnológica: representam uma mudança estrutural no padrão de consumo de mobilidade.
O que o usuário moderno não aceita mais
Historicamente, o aluguel convencional envolve etapas que elevam o atrito da experiência:
- espera em filas,
- necessidade de atendentes,
- contratos físicos e conferências presenciais,
- vistorias manuais inconsistentes,
- dependência do horário de funcionamento das lojas.
Para um consumidor acostumado a fazer banking, delivery e transporte via app, esse processo soa ultrapassado.
A experiência digital responde exatamente a esse incômodo: ela elimina a etapa humana obrigatória, sem eliminar o papel das locadoras. O carro continua sendo um ativo físico da empresa — mas o acesso deixa de ser burocrático.

O “Unlock and Drive” como nova referência de conveniência
A digitalização permite que o usuário controle toda a jornada pelo smartphone:
- localizar o carro,
- reservar,
- fazer o check-in,
- registrar a vistoria,
- destravar o veículo,
- e finalizar o aluguel.
Tudo isso em minutos — sem filas e sem interação presencial.
Essa autonomia é o que está moldando o comportamento de quem aluga. A velocidade deixa de ser um diferencial e passa a ser expectativa básica. Isso explica por que tantos usuários, uma vez expostos ao modelo digital, não retornam ao tradicional.
Não é sobre eliminar lojas — é sobre descentralizar o acesso
Uma nuance importante:
o avanço do digital não muda o fato de que as locadoras seguem operando com frota própria e infraestrutura física.
O que muda é como esse ativo é disponibilizado.
O carro deixa de estar preso exclusivamente ao balcão e passa a ser distribuído em:
- estacionamentos urbanos,
- shoppings,
- hubs de mobilidade,
- concessionárias,
- pontos estratégicos de alto fluxo.
Essa descentralização expande a conveniência sem exigir expansão física tradicional.
É um redesenho do canal de acesso — não do modelo de propriedade.

Os sinais dessa transformação são claros
A evolução do setor caminha em cinco direções nítidas:
1. Operações cada vez mais digitais
Check-in automático, vistoria guiada por software e liberações remotas de veículo.
2. Processos mais rápidos e previsíveis
Elimina-se a variação de atendimento entre lojas, trazendo padronização em escala.
3. Redução de atrito
Quando a fricção some, a recorrência aumenta.
É isso que explica o dado dos 62% que abandonaram o modelo convencional.
4. Integração entre plataformas e locadoras
APIs, telemetria conectada e sistemas de gestão permitem que diferentes frotas operem sob um ecossistema digital único.
5. Novo comportamento de consumo
O carro passa a ser usado sob demanda, não como algo que precisa ser retirado “com antecedência”.
O usuário já internalizou o digital como experiência superior — e o mercado está sendo puxado por essa mudança.
O Rio de Janeiro como laboratório vivo dessa nova mobilidade
A adoção acelerada do modelo sem balcão no Rio de Janeiro não é apenas efeito da dinâmica urbana intensa da cidade. O Rio reúne um conjunto de fatores que tornam o ambiente especialmente relevante para testar, validar e aprimorar soluções de aluguel digital.
Além da alta densidade populacional, da demanda por conveniência e do fluxo constante de deslocamentos, há um elemento crítico: a percepção de insegurança urbana.
Esse contexto pressiona as plataformas a desenvolverem sistemas mais robustos de proteção aos veículos e aos usuários — combinando telemetria avançada, análise de comportamento, automações de risco e mecanismos de bloqueio remoto.
O resultado é uma operação naturalmente mais sofisticada do ponto de vista de segurança, capaz de funcionar em cenários exigentes. Isso faz do Rio um ecossistema de aprendizado acelerado: se funciona aqui, tende a funcionar em qualquer capital brasileira ou latino-americana que enfrente desafios semelhantes.
Por isso, os modelos digitais validados na cidade são altamente replicáveis para outros mercados urbanos da região, que compartilham características como tráfego intenso, grandes centros adensados e a necessidade de soluções seguras e eficientes de mobilidade sob demanda.
O impacto para as locadoras e para o ecossistema de mobilidade
A digitalização não compete com as locadoras tradicionais (ela as fortalece).
Ela permite:
- maior giro dos ativos,
- mais disponibilidade real,
- redução de custos de loja física,
- operação 24/7,
- menos processos manuais,
- e melhor controle tecnológico da frota.
Locadoras que integram seus veículos a plataformas digitais não mudam sua essência; ampliam sua eficiência.
É um movimento de modernização, não de substituição.

Conclusão: o usuário já mudou — e o setor acompanha
A pesquisa da Wali mostra que a experiência digital não é uma alternativa:
é a preferência dominante entre quem já experimentou.
Quando 85% escolhem o digital e 62% deixam de usar o modelo anterior, estamos diante de um novo padrão de consumo tão claro quanto aconteceu com bancos digitais, delivery ou check-in de aeroporto.
O aluguel de veículos continuará sendo um mercado de ativos físicos.
Mas o acesso a esses ativos será cada vez mais digital, simples e descentralizado.
O futuro não está atrás do balcão.
Está na palma da mão do usuário.


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