O governo brasileiro anunciou oficialmente a redução do IPI (imposto sobre produtos industrializados), e acreditamos que o impacto seja ligeiramente positivo (embora pouco relevante) para as locadoras listadas em bolsa. Ceteris-paribus (ou seja, tudo mais constante), acreditamos que é justo esperar um aumento de curto prazo na depreciação dessas empresas (assumindo que as montadoras de carros repassarão o imposto mais baixo para os preços dos carros novos e os preços dos carros usados seguirão o mesmo movimento, os carros atualmente nos balanços das locadoras diminuirão em valor) . No entanto, vemos um impacto positivo por elas passarem a ter um capital investido menor (já que as locadoras imediatamente começarão a comprar carros a preços reduzidos, melhorando as perspectivas de retorno sobre o capital investido).
Esperamos uma leve pressão sobre a depreciação (e portanto lucro) no curto prazo (…) Para contextualizar a redução do IPI recentemente anunciada pelo governo federal, lembramos que a última vez que tal ato foi praticado foi em 2012, durante o governo da presidente Dilma. Na época, a alíquota do IPI foi reduzida a zero, gerando impacto significativo no preço dos carros e na depreciação das locadoras (a Localiza aumentou a depreciação em ~7%, causando uma redução do lucro líquido de 2012 em ~26% – veja a Figura 2 para detalhes). Desta vez, o governo reduziu a alíquota de IPI para carros em apenas ~19% (veja a Figura 1 para análise do impacto ponderado por tipo de modelo), portanto, esperamos que dessa vez o impacto na depreciação seja significativamente menor (~1,8% de depreciação ou ~10% de impacto no lucro líquido de consenso da Localiza em 2022).
(…) a ser compensada por um menor capital investido à frente. Ressaltamos que o aumento da depreciação não-caixa de curto prazo (eventualmente impactando o fluxo de caixa quando os carros usados forem vendidos) deve ser compensado pelo benefício de comprar carros mais baratos por tempo indeterminado a partir de agora. Acreditamos que isso alivia (ainda que parcialmente) o desafio que as locadoras enfrentam atualmente de repassar para o preço da locação os relevantes aumentos de preço do carro e juros mais altos.
Não estamos vivendo em circunstâncias normais. É importante mencionar que as análises acima explicadas foram realizadas sob uma premissa ceteris-paribus (ou seja, tudo mais constante). Como tal, elas desconsideram (i) o atual ambiente de alta elevada para os preços dos carros novos (os 1,8% de redução potencial no preço do carro causado pela redução do IPI que estimamos, pode facilmente ser compensando por um eventual aumento na tabela das montadoras, fazendo com que os preços finais apenas “subam menos”, mas não necessariamente caiam), e (ii) consequências adicionais de eventuais reduções de preços dos carros novos (por exemplo, a concorrência pode forçar as empresas a repassarem às tarifas de locação o benefício da compra de carros mais baratos, com impactos incertos na demanda por aluguel e portanto nos níveis de retorno sobre o capital investido).
Reiteramos nossa visão positiva do setor e recomendações de Compra para as três empresas da cobertura: Vemos a redução na tributação (IPI) como um fator positivo para o setor de aluguel de carros, embora não o suficiente para impactar os resultados de forma significativa. Continuamos acreditando em um processo de normalização saudável do cenário atual atípico de restrição de aumento de capacidade (restrições de compra de carros novos), impulsionado principalmente pela forte demanda reprimida que vemos por locação de veículos (tanto no segmento de Rent-a-Car [Rac] quanto no de Gestão e Terceirização de Frotas [GTF]).
Consulte as figuras abaixo para obter mais detalhes (incluindo os cálculos) sobre as análises realizadas.

Recução do IPI (Imposto sobre Produtos Industrializados)
Esperamos um impacto limitado comparado com 2012
Fonte: XP