O governo federal anuncia nesta quinta-feira (10) o decreto que regulamenta o IPI Verde, nova política de incentivo à indústria automotiva batizada de Carro Sustentável. O programa prevê redução de até 7% no Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) para carros populares 1.0 flex fabricados no Brasil, com vigência até o fim de 2026.
A cerimônia de lançamento será realizada às 15h30 no Palácio do Planalto, com presença do vice-presidente e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Geraldo Alckmin.
A medida integra o programa Mover (Mobilidade Verde e Inovação), anunciado em 2023, e tem como objetivo reaquecer o setor automotivo com estímulos à produção nacional de veículos menos poluentes.
Quem será beneficiado
O corte de IPI se aplica a carros com motor até 1.0, abastecidos com etanol ou gasolina, e com potência inferior a 90 cavalos — faixa que inclui modelos como Fiat Argo, Renault Kwid, Citroën C3 e Chevrolet Onix de entrada. Os descontos serão válidos tanto para pessoas físicas quanto jurídicas, como locadoras.
Carros 1.0 turbo, mais potentes, e veículos elétricos não serão beneficiados neste momento. Um dos critérios centrais para o incentivo é que o modelo seja fabricado no Brasil, o que exclui grande parte dos elétricos importados atualmente. A chinesa BYD, no entanto, prepara o lançamento de um elétrico nacional em sua planta de Camaçari (BA), o que pode reverter essa exclusão no futuro.
Quanto pode cair o preço?
Atualmente, os carros mais baratos do país custam próximo de R$ 80 mil. A retirada do IPI de 7% pode gerar economia de até R$ 5.500 por veículo. Um Renault Kwid, por exemplo, poderia cair de R$ 79.790 para cerca de R$ 74.204. A expectativa é que ao menos 11 modelos hoje no mercado atendam aos critérios definidos no decreto.
Entre os elegíveis, estão:
• Renault Kwid
• Fiat Mobi
• Fiat Argo
• Hyundai HB20 (versões básicas)
• Volkswagen Polo Track
• Chevrolet Onix e Onix Plus (1.0 aspirado)
• Citroën C3 e Basalt
Queda no setor
Com a medida, o Planalto espera aliviar o desempenho do setor automotivo, que enfrenta queda na produção, alta nos juros e concorrência de modelos importados. A equipe econômica também busca impulsionar a imagem do governo Lula, que vem registrando queda de popularidade.
Apesar da renúncia de receita estimada, o Ministério da Fazenda acredita que não haverá perda líquida de arrecadação, pois os incentivos serão compensados por um aumento de tributo sobre veículos mais poluentes

