Mercado de Locação

Com alta na luz, indústrias de Rio Preto alugam energia elétrica

Investimento em energia solar fez conta de luz da fábrica Power Stop cair de R$ 2 mil por mês para cerca de R$ 100 (Guilherme Baffi 9/9/2021)

A alta no preço da energia elétrica está forçando indústrias rio-pretenses a buscar alternativas de redução de gastos com eletricidade para se manter competitivas no mercado. A adoção de alternativas de fornecimento de energia também tem o objetivo de diminuir riscos de interromper as operações diante de um possível apagão. De acordo com entidades industriais, entre as ações mais adotadas estão a implantação de painéis fotovoltaicos e o aluguel de energia solar.

No acumulado dos últimos 12 meses, o custo da energia elétrica sofreu uma alta de 25% no estado de São Paulo. O principal motivo do encarecimento foi o acionamento das usinas termelétricas – cujo custo da operação é maior.

O encarecimento da energia estava impactando as contas da Power Stop, empresa fabricante de peças de freios com unidades em Rio Preto e Limeira. A alternativa encontrada pelo empresário Marco Antonio Almeida foi investir em energia solar. A migração foi realizada em junho e, em três meses, a conta de energia passou de R$ 2 mil para cerca de R$ 100. “Dependemos 90% da energia elétrica para trabalhar. Se por algum motivo vier a faltar, a gente não tem como trabalhar. Gerando a própria energia, a gente não fica dependendo do sistema”, conta.

O investimento no sistema de energia solar foi de R$ 80 mil, com estimativa de retorno entre quatro e cinco anos. “É um investimento alto, mas avaliamos ser uma boa decisão já que o retorno é muito melhor do que se investíssemos em outras áreas do mercado”.

Essa busca de redução de custos é uma prática contínua das indústrias, afirma o diretor regional do Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Ciesp) em Rio Preto, Luiz Fernando Lucas. “Em um momento em que se tem variação no custo da energia maior do que o previsto, o que era apenas uma prática passa a se tornar uma urgência”, diz.

Lucas enumera entre as principais ações para reduzir os custos com energia o investimento em equipamentos mais modernos; melhorias de processos; alteração na composições de produtos ou mesmo a mudança nos fluxos de produção (como a adoção de horário alternativos).

“Sempre existem alternativas, porém as indústrias já estão fazendo a maior parte que podem e conseguem para o momento”, avalia Lucas, que acredita ser difícil as indústrias não repassarem esses aumentos para o consumidor.

Empresas de diferentes setores da economia também estão preocupadas em diminuir os gastos com a energia e evitar repassar o aumento de custo da operação para o consumidor final. Esse é o caso da rede de franquias Tia Sônia Cachorro Quente, que gastava em média R$ 10 mil por mês com energia. De acordo Jonas Cardoso, sócio-proprietário da franqueadora, há dois meses a empresa adotou o serviço de aluguel de energia solar. “Não foi preciso nenhum investimento e reduzi a conta de energia em 15%, valor que podemos investir em outras áreas da empresa”, diz.

Programa oferece investimentos

Na última quarta-feira, 8, o Senai-SP, Ministério de Minas e Energia e GIZ (agência alemã de cooperação internacional), lançaram o PotencializEE – programa de investimentos em projetos de Eficiência Energética para apoiar pequenas e médias empresas industriais do Estado de São Paulo. O programa é uma iniciativa de cooperação técnica Brasil-Alemanha e que prevê a oferta de suporte técnico e crédito acessível com a liberação de cerca de R$ 110 milhões.

O programa possui parceria com entidades como Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai), Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) e Associação Brasileira das Empresas de Serviços de Conservação de Energia (Abesco). Entre os parceiros financeiros estão Desenvolve SP e BNDES.

Segundo Luiz Fernando Lucas, diretor regional do Ciesp, menos custos com energia significam mais capacidade de competir. “No Brasil a indústria não compete com o vizinho da mesma cidade ou do país. Ela está competindo com indústrias da China, Estados Unidos, Japão e Europa. Quem não tiver competitividade, fica fora”. (FN)

Busca por aluguel

O agravamento da crise hídrica, que elevou a cobrança na preço da energia, provocou uma corrida de empresas em busca do serviço de aluguel de energia solar. Nos meses de julho e agosto deste ano, a 99 Energia – empresa de geração compartilhada de energia, registrou um aumento de 500% na formalização de contratos de locação de energia solar, em comparação com o mesmo período do ano passado.

De acordo com o executivo de contas Marcelo Gorga, empresas de diferentes portes e segmentos passaram a locar energia com o objetivo de reduzir despesas com eletricidade. “Isso é possível porque nesta modalidade, a de locação, o valor é menor do que a energia tradicional da rede da distribuidora. Levamos economia de maneira fácil, sem investimentos e sem obras”.

Ainda segundo o executivo, as empresas que optam pelo aluguel de energia conseguem uma redução mínima de 10% nos custos. “Nossa geração de energia tem proteção contra as bandeiras tarifárias e o valor da locação não sofre alterações”. (FN)

Fonte: Diário da Região

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